Humanando
porque ser humano é gerúndio
quarta-feira, 15 de maio de 2013
Nossos avós viram uma guerra mundial. Viram seus amigos, tão jovens, indo matar ou morrer lá num país frio, sem saber ao certo porque tinham de fazer aquilo. E viram tudo acabar com bombas gigantescas que destruíam vidas por atacado, grandes cidades, deixavam seus nefastos rastros por gerações – e com campos de concentração que concentravam o pior que a humanidade já pôde inventar.
Nossos pais viram uma guerra fria. Viram duas mega-potências juntarem tanta pólvora que qualquer fósforo podia explodir o mundo todo, sem exagero. Viram os costumes liberalizarem, mas a repressão virar chumbo. Viram o mundo ir dormir a cada dia como se não houvesse amanhã.
Hoje, nós vemos o terror. Vemos gente morrendo para matar, ao simples troco de espalhar o medo em nome do “Deus” que acreditam. Vemos o dinheiro abundar, e a violência banalizar. Vemos as conexões chegarem ao futuro de ontem, enquanto a fome permanece no hoje de sempre. Vemos tudo acontecer tão rápido que não dá tempo de viver o dia em tão poucas 24 horas. Vemos os valores mudarem num susto, sem saber ao certo se virão outros pra ocupar seu lugar. E ouvimos previsões catastróficas sobre um mundo que pode aquecer, congelar, ou simplesmente evaporar.
Não sou plenamente otimista, pois acho que as mudanças nem sempre vêm para melhor... Mas também não acho sensato sermos pessimistas. Já diziam que tudo ia acabar bem antes do Nostradamus, dos maias ou dos apocalípticos lá da bíblia. Mas sai geração, entra geração, e estamos aí. Cada vez com mais gente no mesmo barco. E, justiça seja feita, ao menos tentando não repetir os mesmos erros.
Melhores ou piores, vivemos de mudanças. Cabe a nós saber o que fazer com elas...
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Auto-entrevista sobre o meu livro!
Obrigado! Quer deixar agora uma mensagem para os leitores do site?
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
"Comprei Jujuba!"
O sorriso se abriu. Um sorriso sereno, de olhos felizes e lábios serrados, como a figura formada pelos caracteres ao final da frase na tela do aparelho: dois pontos, um hífen, fecha parêntese. Sorriso bobo. Bobo como a bala de goma que alguém degustava a tantos quilômetros de distância.
sábado, 4 de agosto de 2012
(En)lutar
domingo, 6 de maio de 2012
Mineiro que vai à missa
quinta-feira, 1 de março de 2012
São Paulo e a gente



sábado, 29 de outubro de 2011
Só no mundo

Um por um, os irmãos foram morrendo: Numa só noite dois irmãos foram esfaqueados; quatro deles em três anos por atropelamento, overdose, ataque epiléptico e doença que ela nem sabia dizer qual. Para resumir: ela e o Cristiano só tinham um ao outro. Ele com dezesseis anos, dependente dela. Queria uma ajuda porque Cristiano andava mexendo com maconha e ela não podia perdê-lo. O rapaz deu de não mais estudar nem trabalhar.
O dinheiro do aluguel mal dava para se manterem. Uma escola mudaria o Cristiano. Fiquei olhando aqueles olhos tristes e vermelhos de chorar, pelo único irmão que lhe sobrara. Indiquei um grupo católico que ajudava rapazes drogados. Conseguimos internação. Ontem fiquei sabendo que há 6 meses o rapaz morreu afogado em Santos.
Sobrou a Cristina. Veio me ver. Está envelhecida aos 27 anos.
Só no mundo e literalmente só. Pediu licença e fez-me uma pergunta:
- Deus quis tudo isso, padre?
Se eu fosse da linha fundamentalista, iria citar umas 20 frases da Bíblia, para dizer que Deus sabe o que faz e que isso tudo foi para o bem. Como minha fé não tem resposta para tudo , respondi:
- Gostaria de saber porquê, mas não sei. Gente como você, Cristina, faz a gente repensar o conceito de vida e de Deus. Agora você sofre. Daqui a 15 anos teremos outras respostas. E quem sabe você estará me explicando a dor da cruz.
Apertou-me, abraçou-me e disse:
_ Não lhe contei. Estou namorando e vamos nos casar no fim do ano. Reze por nós.
E eu…
_ Olha aí uma resposta!
26/11/2007
sexta-feira, 22 de abril de 2011
O Amor é um drama
"Não existe nada que, mais do que o amor, ocupe sobre a superfície da vida humana maior espaço, e nada existe que, mais que o amor, seja tão desconhecido e misterioso. A divergência entre o que se encontra na superfície e aquilo que é o mistério do amor – eis a fonte do drama. Esse é um dos maiores dramas da existência humana. A superfície do amor tem sua corrente própria, rápida, cintilante, susceptível de modificar-se. É um caleidoscópio de ondas e de situações cheios de fascínio. Essa corrente por vezes se torna tão vertiginosa que arrebata as pessoas, homens e mulheres. Convencidos de que alcançaram o sétimo céu do amor, nem sequer de leve o tocaram. São felizes por um instante, quando crêem ter chegado aos confins da existência, e terem arrancado todos os véus, sem qualquer resíduo. Sim. Na verdade, na outra margem não restou nada, depois do êxtase não ficou nada, não há mais nada. Não, não é possível terminar assim! Ouça-me, não é possível. O homem é um continuum, uma integridade e continuidade – portanto não pode permanecer um nada."Andrzej Jawien (pseudônimo de Karol Wojtyla, futuro João Paulo II) - 1960
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Vestido

_ Por que as mulheres se exibem tanto? Não, não estou falando de ficar bonita, se produzir... A beleza não precisa ter explicação, faz parte da vida; e o que é bonito é, sim, pra se mostrar – só não bote essa frase na boca de um cantor de axé ou de funk, por favor!
Ela sorriu. Ele continuou falando, inquieto.
_ A beleza de uma pessoa, seja interna, externa ou tudo isso junto, deixa qualquer ambiente melhor... Mas por que raios as mulheres não conseguem diferenciar beleza de sensualidade? Sim, veja só. Um belo decote, um vestido leve, um cabelo milimetricamente cuidado... tudo isso pode parecer não ter “nada demais”, mas em certas mulheres é mais sedutor do que se estivessem nuas. Aliás, a nudez completa, gratuita, nem é tão sensual assim. Tem mulher que, com um belo vestido, deixa qualquer homem mais excitado que muita Playboy da vida. Aí me lembro de uns religiosos fanáticos que dizem que as mulheres só podem usar vestido, porque calça seria “muito sensual”. Não sabem nada de sensualidade...
A sensualidade está na pessoa, o que ela veste só reflete isso. Tem umas que até tentam, mas não têm jeito pra coisa: quanto mais sensuais procuram ser, mais vulgares ficam. O máximo que conseguem é transmitir ao homem a mensagem: “sou fácil, vem logo se tiver coragem”. Outras, não: sabem exatamente como seduzir. Há mulheres que simplesmente exalam sensualidade por onde passam.
E isso não é sempre bom, sabia? Sério! Às vezes desconcerta a gente. É engraçado, pois parece que no fundo tudo o que nós, homens, queremos é sexo. É ficar louco por uma mulher. É não resistir quando ela olha e nos deixa bambos, sem ação. Não vou negar que essa sensação é boa, mas tem limite. É complicado, por exemplo, num ambiente de trabalho, quando você tem que levar as coisas a sério e uma mulher tenta te seduzir pra levar vantagem em algo, fazer você pensar menos antes de agir. Quantos casos eu conheço de homens que deram grandes mancadas na vida por causa de uma mulher sedutora...
É claro, o oposto também é verdade. Tem muito homem conquistador que deixa qualquer mulher na mão, quando quer. Mas o meu ponto é: as mulheres, muitas vezes, fazem isso sem perceber. Elas acham que estão só ficando bonitas, “bem apresentáveis”, mas não: estão se vestindo pra seduzir. É inconsciente. Acham que estão sendo simpáticas, mas não: estão mostrando seu poder de conquista. É claro, se lhe perguntam, coram e juram que não tem nada a ver, é só seu jeito de ser... Nem elas sabem o que fazem. Acham que estão se produzindo para “outras mulheres”, com aquele papo de que homem no fundo não sabe apreciar tanto a beleza feminina... Bobagem. Não há tantas lésbicas no mundo. O que elas querem, no fundo, é competir com as outras. Querem intimidar a concorrência. E pra que tanta competição? Ora, só pode ser pelo macho. Acho que entre os mamíferos, o ser humano é o único animal em que as fêmeas gostam mais de competir pelo macho que vice-versa. Fala que é mentira!
Ela riu.
_ Ok, basta beber um pouquinho que já falo demais... Mas tudo bem, o que eu penso é isso aí mesmo, minha consciência está perfeita... Digamos que só estou um pouco mais falante, com coragem de botar tudo pra fora...
_ Achei interessante.
_ Sério? Não vai me trucidar? Chamar as feministas?...
_ Não... só gostaria...
Pausa.
_ De lhe fazer uma pergunta.
Ele mudou a posição na cadeira, atento. Os olhos dela, até então baixos, se viraram pra os dele.
_ E comigo? Você acha que é assim também? Que estou sempre seduzindo, sem perceber?... Seja sincero!
Ele sorriu, fez um gesto, parou, pensou. Botou a mão no queixo, olhou pra cima, enquanto ela sorria, discretamente. Fez menção de falar algo, sorriu, ela retribuiu. Por fim, falou.
_ Não sei...
_ “Não sei”... isso não seria uma resposta tipicamente feminina?
_ Está querendo me enrolar, moça? – riram. – Ok... Mas falando sério... Acho que não, você não parece ser assim. Taí: acho que você é uma exceção à regra.
_ Nem inconscientemente?
_ Ao menos não demonstra.
_ Hum... quer dizer então que não sou sensual?
_ Não é isso. Digamos que você não esbanja seu charme, seu poder de conquista. Hum... talvez você seja uma daquelas pessoas que compartilham sua beleza com o mundo, sabem deixá-lo mais belo com seu sorriso, mas guardam seu jogo, sua sedução, para a hora que realmente importa. Não brincam com os homens ao redor, não jogam pérolas para os porcos.
_ Uau! Então eu sou tudo isso?
_ Creio que sim.
_ Então sou uma peça valorizada. Feliz o homem que merecer minha sedução...
_ Será um escolhido entre mil.
_ Nem tanto. Não conheço tanta gente assim.
_ Pois então trate de conhecer.
_ Não preciso.
_ Por quê?
Os olhos, que oscilavam para os lados, mergulharam nos dele.
_ Estou de vestido. Não percebeu?...
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Demônios





